Buscar
  • Keila Mattesco

Inteligências Múltiplas: a teoria de desenvolvimento que vai além das metodologias de ensino


 

Para além de adotar uma combinação de metodologias de ensino para o desenvolvimento infantil, nossa filosofia de educação se baseia na Teoria das Inteligências Múltiplas: uma abordagem criada por Howard Gardner, psicólogo cognitivo e educacional e professor da Universidade de Harvard, cujas pesquisas evidenciaram que todos os seres humanos possuem capacidades cognitivas únicas, e que são estimuladas e desenvolvidas de acordo com as singularidades de cada indivíduo – desde a infância até a fase adulta.


E você deve estar se perguntando: mas, o que efetivamente essa teoria defende e como ela contribui para o desenvolvimento infantil?

A Teoria das Inteligências Múltiplas defende que todas as pessoas possuem um conjunto de habilidades, igualmente importantes, que compõem a inteligência humana e a sua identificação e desenvolvimentos contribuem para que as crianças sejam capazes de combinar uma gama de recursos, para encontrar as melhores soluções para os desafios que elas vivenciam.


Assim, a Teoria contribui para a melhora da vida social, emocional e da relação intrapessoal (consigo mesmos) em cada etapa de desenvolvimento que as crianças vão atingindo, até a sistematização concreta dos conhecimentos adquiridos.


E como fica a teoria do Coeficiente de Inteligência, o tão conhecido e aplicado Teste de QI, nos anos 70 a 90? Estamos falando de testes pré-formatados, onde o aluno que apresentasse uma boa avaliação, era classificado como inteligente. Mas será que esse sujeito era bom em tudo? Segundo os especialistas na época, sim. Diante da teoria das IM, o teste de QI avalia, única e exclusivamente, a inteligência lógica-matemática.


Por exemplo, um adolescente, no auge das suas crises existenciais, que fosse submetido a uma avaliação como essa e tivesse uma pontuação abaixo da esperada, significaria que ele estaria fadado ao fracasso, já que ele tinha uma inteligência mediana. Será que ele não seria bom em nada?


Gardner, quando trouxe a luz esse conhecimento, mostrou que um teste de QI não é suficiente para medir o nível de inteligência macro de uma pessoa. Muito pelo contrário, ele só é capaz de avaliar apenas uma fatia, uma inteligência, e nós somos capazes de muitos mais. Dessa forma, a Teoria das Inteligências Múltiplas acredita em uma abordagem muito mais ampla, que considera 9 tipos de inteligências e inclui as relações sociais, as expressões artísticas e o contexto em que o ser humano está inserido, como aspectos fundamentais para o melhor desenvolvimento das suas capacidades. São elas:

  1. Lógico-Matemática: habilidades relacionadas ao pensamento lógico e conceitos matemáticos

  2. Linguística: desenvolvimento da linguagem e a capacidade de se comunicar com excelência, seja no aspecto oral ou escrito

  3. Espacial ou Visual: capacidade de interpretar e criar imagens, através de diversos recursos como formas, cores, texturas, espaço físico.

  4. Corporal-Cinestésica: habilidade de compreender o próprio corpo, seus limites, expressões e como se relacionar com a execução de movimentos

  5. Interpessoal: capacidade de compreender o outro

  6. Intrapessoal: habilidade de entender as próprias emoções, sentimentos e estabelecer o autocontrole, a autorregulação e autoconhecimento

  7. Musical: capacidade de reconhecer sons, melodias, ritmos, instrumentos

  8. Naturalista: habilidade de se relacionar com o meio ambiente e aptidão para lidar com os aspectos e elementos da natureza

  9. Existencial: capacidade de refletir sobre a existência humana


E, como (praticamente) ninguém tem a capacidade de desenvolver de forma igualitária e homogênea todos os nove tipos de inteligências, a Teoria das Inteligências Múltiplas nos direciona para a personalização do ensino, baseado na observação atenta e na mediação direcionada para possibilitar o melhor plano de desenvolvimento para cada criança.


Mas, como isso se dá na prática, no dia a dia? Aqui, podemos citar alguns fatores: desde a combinação de metodologias pedagógicas (Montessori, Projetos, Piagetiana, Sócio-interacionista, por exemplo) até a adoção da sala invertida. Em nosso dia a dia, combinamos inúmeras atividades interdisciplinares, para proporcionar a melhor experiência de aprendizado, que coloca a criança no centro do processo, tirando o foco do professor, antes tido como o detentor do saber, e nos tempos modernos que vivemos atua como mediador da aquisição do conhecimento. Neste sentido, nossa abordagem de desenvolvimento infantil e de ensino-aprendizagem é disruptiva: como diz Gardner, “a irrupção das novas tecnologias nos obriga a educar as crianças de forma diferente”!


E, assim, seguimos há mais de 5 anos na atuação voltada para o desenvolvimento holístico infantil, que dará o suporte essencial para a formação de cidadãos conscientes de suas origens e capazes de reconhecer suas áreas de fortalezas e pontos críticos, para que sejam capazes de lidar melhor consigo mesmos e com o mundo.


Para finalizar, concluímos com uma combinação de frases de Gardner, que certamente fundamenta nossa prática diária:

“O objetivo da educação é ajudar as pessoas a usar melhor as suas mentes. Podemos ignorar as diferenças e supor que todas as nossas mentes são iguais. Ou podemos aproveitar essas diferenças.”


Aqui, não só aproveitamos, como personalizamos a aprendizagem e estimulamos o desenvolvimento individualizado de cada criança!


14 visualizações0 comentário